4.30.2009
4.29.2009
5.15.2008
Nas asas do vento
Nas ondas do marEla molha os pés
Com a brisa da praia
Ela vai ao céu
Navegando à deriva
Sozinha segue seu caminho
Viajando sem rumo na vida
Aonde vai chegar?
Aonde vai chegar?
Talvez chegue nas asas do vento
Ao meu pensamento
Talvez viaje o mundo
E quem sabe sem
Nunca chegar
A algum lugar
Que a leve pra longe do tempo
E encontre um alento
Que possa fazê-la parar
De caminhar...
11.20.2007
FUMAÇA

Minha vida é cercada por sinais de fumaça que se perdem com a garoa da tarde.
O chão molhado alivia o que o fogo não conseguiu queimar. E foi tão pouco...
Tão pouco é o tempo que me resta nesse quarto fechado, entre paredes verde-esperança que já não há. Entre fios e tubos que me sufocam. O ar não é mais tão leve como outrora.
Meu corpo é quente. Não como os dias de verão em que meus pais me levavam à praia. O mar não pode mais me refrescar. Talvez apenas sua lembrança.
Mas o que é, então, o lembrar senão chama que arde sem nunca cessar?
É como palavra proferida insanamente e palavra é fogo: queima, impiedosa, o meu silêncio involuntário.
Estou presa, sufocando nesse quarto sem janelas. As minhas estão trancadas por essas pequenas cápsulas de alívio instantâneo.
Meus braços, não os sinto mais. Eu, que achei que nunca precisaria de abraços...
8.15.2007

A penumbra delineia seu corpo nu, debruçado sobre a cama, sua brancura se destaca na escuridão do quarto.
Eu toco sua pele, impregnada de suor – num movimento involuntário você se mexe, como se me dissesse para não tocá-lo. Parece que me repudia depois do exaustivo e prazeroso ato.
Tento dormir, mas há tanta coisa em minha mente...
Deitada de frente pra você, admiro seu semblante sereno. O desenho – perfeito! – de seus lábios me causa calafrios.
Você, enfim, abre os olhos, fixa-os nos meus e diz que me ama. Você é tão lindo depois do sexo!
Sua mão toca meu rosto e, em seguida, meu seio. Sinto um arrepio e me perco novamente em seus braços.
Os dias têm sido mais claros e a brisa mais suave...
7.02.2007
Tambor de Crioulaterra do babaçu
do cacuriá
tambor-de-crioula
e do bumba-meu-boi
ah, Maranhão!
terra de um homem só
lugar onde o passado se faz presente
se até hoje os teus mares têm dono
quando há de ser paga tua alforria?
há quem diga que no Maranhão não há verdade
é terra onde até o sol mente!
“M. Maranhão, M. Murmurar, M. Maldizer, M. Mexericar, e, sobretudo, M. Mentir”
como refutar
se também o dicionário aplica sua sentença?
em meio à miséria... a beleza inocente de uma terra humilde
como um diamante bruto te apresentas
terra das palmeiras
M. Maranhão de Muitas Maravilhas!
Maranhão de poetas
de súplicas a Deus
por um dia a mais para o canto dos pássaros ouvir
Maranhão onde o amor
a alegria
e a saudade têm o seu lugar
Maranhão de Josés
Ferreiras
Machados
e Dias
dias e dias a declamar poesias!
terra de lençóis tão brancos quanto a areia do mar!
lugar onde a segunda pessoa se faz primeira
e mais importante
ah, Maranhão!
quantos em teus encantos se perderam!
quantos em teus mares de águas turvas já morreram!
ao mesmo tempo em que és belo
ó Maranhão
és também traiçoeiro.
5.31.2007
D. Francisca das Chagas, 36, desmaia ao ver sua casa ser demolida. O filho, Francisco das Chagas, 13, se desespera com a dor da mãe (FOTO: Douglas Jr.).
Uma casa foi derrubada. Uma família desolada. E os donos de terra continuam com suas imensas propriedades vazias.
Até quando mães terão que morrer por uma vida digna? Até quando seus filhos terão que chorar por um sonho desfeito?
Derrubam-se casas e os alicerces de uma família inteira em troca de status. Que realidade é essa, distorcida? Que palavras estão usando, que não consigo entender? Estarei ficando cega ou com problemas de audição? Então, que gritos são esses que ouço da janela do meu quarto?
