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7.26.2010

Precisa de título?


e se a morte inicia no nascimento,

é que a vida se desfaz a cada dia

devir de tempo e movimento

sem mais nada por dizer

apenas o que somos sem querer

o que fomos sem saber,

o que não teremos por não ser...

como estrelas que brilham mortas

no tempo passado da imagem

de palavras que nada dizem

aos dias que passam à porta

consumir, consumar, desgastar-se

suprimir, sujeitar, sujeitar-se

é vida que nesce morta

é morte que nasce viva

abismar-se no instante certo

é estar certo no tempo errado...


(Escrito por Rai Castro, a quem tenho orgulho chamar de amigo)

11.20.2007

FUMAÇA


Minha vida é cercada por sinais de fumaça que se perdem com a garoa da tarde.
O chão molhado alivia o que o fogo não conseguiu queimar. E foi tão pouco...
Tão pouco é o tempo que me resta nesse quarto fechado, entre paredes verde-esperança que já não há. Entre fios e tubos que me sufocam. O ar não é mais tão leve como outrora.
Meu corpo é quente. Não como os dias de verão em que meus pais me levavam à praia. O mar não pode mais me refrescar. Talvez apenas sua lembrança.
Mas o que é, então, o lembrar se não chama que arde sem nunca cessar?
É como palavra proferida insanamente e palavra é fogo: queima, impiedosa, o meu silêncio involuntário.
Estou presa, sufocando nesse quarto sem janelas. As minhas estão trancadas por essas pequenas cápsulas de alívio instantâneo.
Meus braços, não os sinto mais. Eu, que achei que nunca precisaria de abraços...